Notas Metodológicas

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Foto: Pixabay

Metodologia da pesquisa

O estudo Demografia Médica no Estado de São Paulo tem como objetivos traçar as características, a distribuição, os cenários e as dimensões das desigualdades relacionadas à população de médicos do Estado.

O trabalho consiste em um estudo observacional transversal realizado por meio de processamento e cruzamento (linkage) de dados secundários; e um inquérito com amostra probabilística de médicos com registro no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).

Os dados gerais, de perfil e distribuição dos médicos referem-se ao universo de 123.761 médicos em atividade em 2016, segundo registros do Cremesp.

Os dados sobre mercado de trabalho e inserção profissional dos médicos no Estado de São Paulo referem-se a inquérito com 682 médicos entrevistados, tendo sido demonstrada a validade e a confiabilidade da amostra em relação ao universo total de médicos no Estado, considerando local de domicílio, sexo e idade dos médicos.

Tais dados foram extraídos de pesquisa nacional realizada em 2014/2015, com amostra de 2.300 médicos representativa dos das 27 unidades da federação. Foram considerados na ocasião uma população geral de 193.867.971 de habitantes e um total de 388.015 médicos.

 

Dados de municípios

No presente estudo, os dados de médicos por município têm limitações. O estudo considera o local de domicílio do médico, não seu local de trabalho, pois tal informação é múltipla, dinâmica e não está disponível no banco de registros do Cremesp. Muitas vezes o profissional trabalha em município diferente do seu domicílio, ou tem empregos em mais de uma cidade. A pesquisa registrou pelo menos 30 cidades de São Paulo onde não há um único médico morando, mas os profissionais que lá trabalham podem se deslocar de municípios vizinhos. Por isso, o estudo Demografia Médica não apresenta dados individualizados de médicos de pequenos municípios, mas sim de acordo com as regiões administrativas de saúde, destacando apenas as maiores cidades do Estado.

 

Comparações da taxa médico-habitante

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) não recomendam nem estabelecem taxas de número de médicos por habitante para países, estados ou regiões de um mesmo país, o que depende de fatores regionais, socioeconômicos, culturais e epidemiológicos. Isso torna pouco válido o estabelecimento de uma “taxa ideal” generalizada para todas as regiões do estado de São Paulo.

 

Número de títulos de especialista

O médico pode obter e registrar o título em mais de uma especialidade. Na distribuição por especialidades, especialistas com mais de um título são contados em cada especialidade. Portanto, o número de títulos de especialistas é maior que o número de médicos especialistas no Estado de São Paulo. Não é possível saber, por meio dos bancos utilizados, qual é a especialidade exercida pelo médico que tem mais de um título de especialista

 

Médico generalista

No presente estudo foi adotado o termo “médico generalista” para designar o médico sem título de especialista. Médico generalista é o médico com formação geral em medicina. A Resolução CNE nº 314, de 20/06/2014, que institui as novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, ressalta que o graduado terá formação geral (art. 3º), que a graduação em medicina visa à

formação do médico generalista (art. 6º) e de profissional com perfil generalista (art. 29). Também foi considerada a Classificação Brasileira de Ocupações – CBO, do Ministério do Trabalho e Emprego, que não atribui nenhuma especialidade ao médico generalista (Código 2251-70).